O didgeridoo é uma dádiva do povo aborígene australiano e é graças à sua vontade em dar a conhecer ao mundo o seu povo e cultura que hoje conhecemos este instrumento que lhes é sagrado.
Eu apaixonei-me completamente pelo som deste instrumento e, desde que o conheço, que tenho estado sempre envolvido em projectos de construção, aulas, música, etc.
Para mim é muito importante que os didgeridoos traidicionais estejam num lugar perfeitamente distinto dos outros didgeridoos e nesse sentido nenhum dos meus didgeridoos, nenhuma das minhas composições ou atitudes tenta imitar as dos aborígenes australianos ainda que possam ser em grande parte influenciadas por este povo.
Embora faça um esforço por recolher a melhor informação e possibilitar aos entusiastas do didgeridoo em Portugal o acesso a instrumentos tradicionais (algo que eu não tive quando comecei a tocar) os meus didgeridoos estão num campo completamente à parte do tradicional.
Agrada-me experimentar didgeridoos de diferentes materiais, sentir as diferenças nas sonoridades e naquilo que se sente quando se tocam esses didgeridoos. Assim como alguns guitarristas têm várias guitarras consoante o som que procuram também os didgeridoos são muito diferentes entre si.
TIPOS DE DIDGERIDOOS
Didgeridoo é um termo onomatopeico para um instrumento de sopro utilizado pelo povo Yolngu de Arnhem Land, no norte da Austrália, o nome tradicional deste instrumento varia consoante a região e a língua do clã. existem dois grande tipos de instrumentos tradicionais: Yidakis e Magos.
Yidaki
Tipo de didgeridoo tradicional do Nordeste de Arnhem Land. Estes instrumentos são seleccionados, construídos e decorados de forma tradicional com uma determinada utilização em consideração.
Estes instrumentos costumam ter uma forma essencialmente cónica, encontram-se em várias notas entre Dó e Sol, sendo que os instrumentos mais antigos apresentam notas mais graves e instrumentos feitos por construtores mais jovens apresentam notas mais agudas. O toot ou nota tipo-trompete é utilizado nos ritmos tradicionais desta região.
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Mago
Tipo de didgeridoo tradicional do Noroeste de Arnhem Land. Estes instrumentos são seleccionados, construídos e decorados de forma tradicional com uma determinada utilização em consideração. Costumam ser instrumentos mais pequenos que os Yidaki e com uma forma essencialmente cilíndrica, as notas mais comuns costumam estar entre Mi e Sol, o som é um pouco mais rouco que o dos Yidakis e nestes instrumentos os toots não são tão utilizados.
(mais informação em breve)
Contemporâneo
Todos os restantes didgeridoos, incluindo alguns de eucalipto australiano roído por térmitas.
TIPOS DE MATERIAIS
Eucalipto australiano
Por toda a Austrália é possível encontrar troncos de eucalipto, de várias espécies, roídos pelas térmitas.
O eucalipto é uma madeira pesada e muito rígida e por isso é um bom material para fazer didgeridoos. Esta madeira é muito fibrosa e muitas vezes pode apresentar pequenas rachas que não influenciam o som do instrumento ou que podem ser facilmente reparadas sem comprometer a resistência do mesmo. Muitos didgeridoos de eucalipto australiano existentes no mercado são de fraca qualidade e é importante conhecer bem a loja de onde se está a encomendar para se ter a certeza que se está a comprar um bom instrumento.
Madeira
Recorrendo a madeira maciça é possível fazer excelentes didgeridoos com um mínimo de conhecimentos de trabalho com madeira, a técnica mais utilizada é esculpir o tronco por fora, serrar ao meio e escavar o seu interior. Desta forma pode-se desenhar o som do instrumento, é mais fácil prever em que nota vai tocar e é mais fácil afinar, caso seja necessário.
Diferentes madeiras têm diferentes características, madeiras duras produzem didgeridoos diferentes de madeiras moles. O eucalipto que temos em Portugal não é bom para trabalhar, é duro demais, empena e é feio. Temos excelentes árvores da nossa paisagem: carvalho, oliveira, nogueira, cerejeira, castanheiro, freixo, amieiro são alguns exemplos.
Fazer didgeridoos de madeira é a técnica que eu prefiro utilizar mas neste momento, com as condições de espaço e ferramentas que tenho não me é possível, embora tenha feito já vários e todos eles bastante interessantes.
Piteira
Um material fantástico de se trabalhar. Agave é o nome de um cacto que quando atinge a sua maturidade dá uma haste de cerca de 4 metros, floresce e morre. Quando morre a haste e o cacto secam e dão lugar a pequenos rebentos que caíram entretanto na base.
Esta haste é fibrosa e mole por dentro mas por fora é de um material com a rigidez da madeira. Por ser uma material relativamente fácil de trabalhar tem sido uma das minhas principais escolhas devido às condições de trabalho que tenho neste momento. Com a piteira conseguem-se didgeridoos com um som bastante suave e bonito, são fáceis de tocar e por norma bastante mais leves que os de madeira.
Com a piteira não é possível
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