REPARAÇÃO E AFINAÇÃO DE DIDGERIDOOS
Banhos de óleo no interior de um didgeridoo para tratar a madeira, retoques no verniz, tratamento de rachas, afinação, melhoria e modificação das características sonoras são alguns dos serviços que tenho efectuado em vários didgeridoos.
Quase sempre é possível fazer algo por um didgeridoo que sofreu um acidente ou precisa de ser melhorado ou modificado mas para poder aceitar esse trabalho preciso sempre de ver o didgeridoo, só assim posso perceber se vale a pena arranjar ou não e de que forma.
Por vezes o arranjo do didgeridoo fica mais dispendioso do que o valor que custou e às vezes só vale a pena mexer no instrumento se ele tiver algum valor afectivo para o dono.
O custo por reparação de um didgeridoo depende do material e do tempo envolvido, mas começa habitualmente nos €35.
REPARAÇÃO E RECOLOCAÇÃO DE BOCAIS
Porquê mudar o bocal de um didgeridoo?
- o bocal é a alma do didgeridoo, é pelo bocal que entramos em contacto com o instrumento
- é uma das zonas mais sensíveis em alterações de pressão, uma pequena fuga de ar na outra extremidade de um didgeridoo quase não afecta o som, uma pequena fuga de ar no bocal e ele deixa automaticamente de tocar
- é o que está em contacto com os lábios e ninguém quer estar a tocar didgeridoo com dores ou feridas nos lábios
- é um dos pontos mais importantes de afinação da nota fundamental de um didgeridoo caso queiramos subir ou baixar a nota do instrumento
A maior parte dos didgeridoos que as pessoas compram para começar a tocar trazem bocais de cera de abelha.
A cera de abelha tem algumas vantagens para quem está a aprender como por exemplo permitir pequenos ajustes até perceber que tipo de forma de bocal é que o músico prefere.
A meu ver as desvantagens são em maior número: derrete e muda de forma com o calor, para quem tem bigode ou barba deixa os pelos todos sujos, num dia de calor suja estofos e vidros nos carros, fica com pequenas fibras dos sacos ou tecidos com que contactar.
Existem várias alternativas à cera de abelha para fazer o bocal de um didgeridoo:
- massa de epoxy - uma das minhas preferidas, depois de limpar muito bem a cera do didgeridoo prepara-se a massa, aplica-se, molda-se o mais aproximadamente possível ao bocal definitivo e depois de secar trabalha-se como se fosse madeira, a seguir basta limpar e está pronto, quando precisar de uma limpeza basta passar um papel com um pouco de álcool e já está. Se mais tarde se quiser diminuir ou aumentar o bocal é relativamente fácil de o fazer assim como remover o bocal se desejado. A principal desvantagem é o aspecto que nem sempre é o mais bonito, costumo usar aspecto de pedra, castanho, cinzento ou branco, embora se possa pintar.
- madeira - colando uma peça de madeira que pode ser trabalhada para se adaptar ao didgeridoo consegue-se um aspecto mais natural mas esta técnica é um pouco mais complicada e nem sempre resulta tão bem, o didgeridoo e o bocal têm de ser ajustados um ao outro e muitas vezes é necessário cortar um pouco do didgeridoo.
- resina - um bocal original, transparente, bastante invulgar, inventei esta técnica por necessidade quando quis afinar um didgeridoo baixando-lhe a nota. Nestes bocais consegue-se ver os lábios do músico a vibrar. Uma das desvantagens é que este material tende a amarelecer um pouco com o tempo e a exposição ao sol. Não é possível aplicar esta técnica em todos os didgeridoo.
- esculpido no próprio didgeridoo - na minha opinião é a melhor de todas, quando se consegue construir um didgeridoo, seja ele de que material for, em que o bocal está esculpido no próprio didgeridoo consegue-se uma transição mais suave entre o bocal e a coluna de ar e deixa de se ter preocupações com colagens ou eventuais fugas de ar.
Cada didgeridoo, cada músico e cada bocal são situações únicas. O ideal é vir até à oficina e experimentar vários tipos de bocais, discutir as vantagens e desvantagens de cada opção e só depois escolher.
O preço base para mudar um bocal de didgeridoo varia também com o material e o tempo dispendido mas começa nos €25.